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NÃO SUBESTIME A DOR DO OUTRO

  • Foto do escritor: Kátia Ferreira - Psicóloga
    Kátia Ferreira - Psicóloga
  • 4 de ago. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 11 de set. de 2023


Passei por uma experiência nas férias que há muito tempo não vivenciava. Estava na casa da minha mãe e saímos para caminhar: eu, ela, meus dois filhos, um de 11 e um de 5 anos, juntos com nossos dois lindo filhotinhos cheios de energia para gastar, e que ainda estavam aprendendo a andar com a guia. Fomos então contentes pelo caminho, os seis.


Algo que no inicio parecia uma simples tarefa, logo se tornou em uma confusão. Em uma parte da caminhada havia uma descida, e nesse ponto, depois de 40 minutos caminhando, administrando os “quatro filhotes”, um dos filhotes se descontrolou e cruzou na minha frente, puxando meu filho mais novo com ele. Foi questão de segundos, eu me desequilibrei e quando vi já estava no chão.


Mesmo estando de calça, fiz um grande machucado no joelho. Acho que fazia no mínimo uns dez anos que não caia, e cheguei a uma conclusão: joelho ralado dói muito. O primeiro dia foi horrível, não conseguia andar direito, quando a perna estava esticada não conseguia dobrar, e quando estava dobrada não conseguia esticar. E na hora do banho, socorro. Os três primeiros dias foram péssimos, todo o joelho latejava. Depois o latejamento diminuiu, mas a dor continuava e a dificuldade na locomoção também. Enfim, não me lembrava do quão terrível era ter um joelho ralado.


Mas de repente olho para o joelho do meu filho, e lembrei-me que na semana passada ele também havia caído, e se ralado muito. E sabe, eu não dei muita atenção. Na verdade quando ele reclamava eu falava para ele parar de reclamar, que estava com exagerando um pouco, afinal era só um joelho ralado... E na hora do banho, quando a água escorria pelo joelho e ele chorava, eu o pedia para ele parar de chorar, afinal, era só um joelho ralado...


Foi então que eu me dei conta: “ Como pude ter sido tão insensível”? A dor do joelho do meu filho não era a minha. Eu precisei cair, ralar o meu joelho, para me lembrar do quanto dói.


Quantas vezes mais eu devo ter feito isso? Julgado e subestimado a dor do outro? E quantas vezes você, caro leitor, não o fez também? Julgar a dor do outro. Muitas vezes a dor do outro para nós dói bem menos que a nossa, outras vezes, subestimamos a dor alheia. E isso quando a ferida é exposta, como no caso do joelho ralado, mas e quando não o é? E quando não podemos ver onde dói, ou ao menos mensurar, como quando a ferida está na alma ou o coração? E quando se é agredido por palavras, gestos, ausências, palavras não ditas, indiferença? Como explicar ao outro a sua dor? Só pode dizer o que dói, o quanto dói, como dói quem o sente. Ao que não sente, a dor do outro, cabe a empatia.


Nem todos estão preparados, com os ouvidos atentos, aguçados e limpos de julgamentos para poder ouvir. Caso você leitor tenha um dor interna, que esta difícil lidar com ela ou falar sobre ela, seja porque você não o sabe dizer, ou porque você não tem para que dizer, procure um profissional capacitado e habilitado para tal. Procure um psicólogo.


By Katia Ferreira | Psicóloga Clinica | CRP 08/11565

 
 
 

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